Anteontem pela manhã o Márcio encontrou um cachorrinho no quintal. Estava perdido. Tinha uma coleira mas sem nenhuma identificação. Aqui nos U.S todos os cachorros que tem dono tem que ser registrados na prefeitura, pagar taxa anual, carregar tags de identificação, inclusive informando vacinas. Além disso eles tem implantado dentro da pele um chip que, ao ser escaneado com o aparelho de leitura específico, traz todas as informações sobre o cachorro inclusive o endereço do dono.
Márcio me ligou para pedir opinião sobre o que fazer. Ligamos para o abrigo de animais para que eles peguem o pobrezinho? Deixamos ele numa parte fechada do quintal do Cory e tentamos achar o dono? Deixamos ele solto e não fazemos nada? Preferimos a segunda opção. O dono poderia estar procurando por ele e se a gente deixasse ele continuar perdido ele poderia ser atropelado ou ser presa de um coiote ou racoon (sim, de acordo com a vizinha Diana eles costumam pegar animais relativamente pequenos e perdidos. Não tenho a menor idéia do que seja um racoon, mas a idéia de um coyote pegando o pobrezinho me pareceu assustadora). O Márcio acabou de me dizer que racoon é guaxinin. Também não resolveu o problema. Nunca vi um guaxinin.
Bom, o bichinho de acordo com o Márcio não parava de latir e o Márcio teve que colocar a coleira eletrônica sem fio nele. Essa coleira dá um pequeno choquinho através do controle remoto. O Márcio também colocou um aviso feito a mão num poste em frente aqui em casa e me mandou a foto do bichinho para que eu imprimisse uns avisos melhores na MSR. Imprimi 10 e decidimos que ao chegar em casa iríamos percorrer a vizinhança procurando o dono dele e colando os cartazes.
Ao ver a foto do bichinho (veja abaixo) meu coração doeu de ver sua carinha de miserável de estar naquela situação. Ai, e se não achássemos o dono? Teríamos que ligar pro abrigo de animais no outro dia e se o dono não aparecesse em 3 dias ele seria posto para adoção. Qualquer coisa que significa magoar um cachorro me dói de uma forma inexplicável. Ao chegar em casa a criaturinha sem nome balançou o rabinho para mim. Ai meu Deus... Começamos a caminhada, o Márcio com o Duke, eu com o bichinho. Eu batia de porta em porta e perguntava se conheciam o bichinho, o Márcio que não gosta dessa parte de ter que falar com estranhos colava os anúncios.
Ninguém conhecia o bichinho, mas todos o achavam lindo. Ele tem os olhos verdes. O Márcio disse que ele seria facilmente adotado. Mas ele estava fora de forma ou já estava velhinho porque em alguns minutos de caminhada já parecia cansado, ao contrário do Duke que parecia ainda poder correr 30 km. O Márcio ainda teve que catar o cocô que ele fez na rua...Uma moça me disse para que eu fosse em qualquer clínica veterinária e pedisse que eles passassem o escaner para verificar se o cachorrinho tinha o chip. Depois de 1 hora de caminhada, enquanto eu conversava com a mulher de uma casa que também estava morrendo de dó do bichinho e achando ele lindo, a dona aparece. Foi uma grande alegria. Ele até uivou ao vê-la. Uma mulher tinha falado para ela que estávamos andando e procurando o dono do bichinho. O nome dele é Roger. Uma coisa que aconteceu é que não consegui em momento algum passar a mão e brincar com o Roger. A maioria das pessoas se compadeceu dele e passava a mão consolando o pobrezinho. Acho que foi uma reação instintiva. Se criasse qualquer tipo de amor pelo Roger e não conseguíssemos achar o dono, eu provavelmente teria a tentação de ficar com o Roger para mim. Então acho que bloqueei qualquer reação de afeição por ele durante as buscas. Meu foco era achar o dono dele, ele tinha que ter um dono, uma família. Foi muito bom encontrar sua dona no final, um final feliz para o Roger.


Falei do Marcelo, mas ainda não tinha colocado uma foto dele no blog. Amigo querido, padrinho, insubstituível, irmão. Muitas saudades de você!






