
Ontem mamãe foi embora. Ai, foi tão triste. Eu não consigo e nem nunca consegui achar normal despedir das pessoas que eu amo. E essa vinda dela aqui foi tão especial, em todos os sentidos. Acho que nunca estive tão próxima da mamãe quanto estive nesse 1 mês que ela passou aqui. Cada vez que lembro dela começo a chorar. Dá um aperto ver o quarto que ela ficou vazio e a casa sem a movimentação dela.
Ficávamos 24 h por dia juntas e fazíamos tudo juntas. Tomávamos café, íamos para as consultas pre-natais e NST testes juntas, almoçávamos juntas, víamos novela (A Favorita) juntas, organizávamos as fotos juntas, lanchávamos juntas. E depois que a Brooke nasceu dividimos todos os cuidados com ela 24 h por dia. Eu dava de mamar, ela fazia arrotar e acalmava a Brooke para dormir, revezávamos as fraldas. As mamadas da Brooke eram no quarto dela e passávamos a maior parte do tempo lá ou cuidando da Brooke ou distraindo com as fotos, novela e internet.
Ela me ajudou tanto que desde ontem estou até zonza sem a presença dela. E é engraçado que só depois de tanto tempo morando fora da casa dos pais é que a gente relembra com carinho as características marcantes dos pais.
* Mamãe é extremamente organizada (ao contrário de mim) e limpinha. Todas as coisas dela ficam perfeitamente no lugar certo e organizadas.
* Ela adora e faz questão de ter suas próprias coisinhas e não pegar emprestado nada de ninguém. Disse mil vezes para ela que não precisava trazer shampoo, pasta de dente, sabonete, secador, toalha (só lota a mala à toa), mas ela trouxe tudinho, inclusive um jogo de toalhas que até deixou aqui para mim.
* Ela é super vaidosa, cada dia coloca uma roupa diferente com tudo combinando, inclusive as jóias. Sempre cheirosinha com seus mil cremes e perfumes (do Boticário sempre).
* Ela é super alto astral e leva a vida com tanta felicidade. Sempre conversava alto com o Duke (o "Dudu") e cantava o tempo todo para Brooke:
"Eu vi a Brooke na chaminé tão pequenininha fazendo café. É de chá chá chá, é de chaminé, é de chá, chá, chá, é de chaminé. "
"... três ovinhos 1, 2, 3, nasceram 3 patinhos, 1, 2, 3"
Faz aula de Inglês (se comunicou super bem aqui) e fez de uso do computador.
E foi tão lindo ver ela esses dias com a Brooke. Vi nascer uma avó mesmo.Hoje a Brooke ficou enjoadinha o dia inteiro, fiquei de pijamas atéo 12:00pm porque ela não dormia de jeito nenhum. Tenho um palpite que tá sentindo falta do colo e do cheiro da avó que era quem acalmava ela para dormir.
Eu não queria ser assim como sou, sempre sofri em despedidas desde criança. Ir embora da casa da minha avó Mercês era a pior coisa que "faziam" comigo na minha infância. Ir embora de BH em cada viagem que eu o o Márcio fazemos é uma tristeza e a única coisa que me consola é saber que vou ver o Duke.
E falando em vó, me dá um aperto no coração que a Brooke está tão longe das avós e dos avôs. Eu só tive avós mas sei que avó é uma das melhores coisas que um ser humano pode ter. Acho que todo mundo que teve o privilégio de ter um relacionamento bem próximo com avô ou avó se torna uma ser humano muito melhor.
No "baú" das melhores lembranças da minha infância, estão os dias que passava na casa da minha avó Mercês. Principalmente as férias de julho, aos 11, 12 anos que passava lá. Quantas aventuras! Dormia na cama dela com ela, escutava de madrugada as estórias e as aventuras do passado dela e da nossa família e as confusões em que ela já se meteu, andava Juiz de Fora inteira de braço dado com ela enquanto ela resolvia seus "assuntos de rua". E a felicidade que sentia quando o carro ou o ônibus se aproximava de Juiz de Fora? Vovó esteve comigo em todos os momentos importantes da minha vida: vários aniversários, 15 anos, formatura, casamento e agora acompanhando virtualmente a gravidez, nascimento e vidinha da Brooke. Ia embora chorando da casa dela e na minha cabecinha de criança a distância (7, 8 h de viagem de Ipatinga)tinha a mesma proporção de San Jose - BH.
Pois é mãe (e Maria Luiza e papai e José Agostinho)... Você tem uma missão muito importante a partir de hoje. É fazer a Brooke contar para alguém daqui há uns 20, 30 anos que entre as melhores lembranças da vida dela estão a convivência e o relacionamento dela com os avós. É fazer a presença dos avós na vida dela ser de uma força que distância nenhuma enfraquece. Por favor, não deixe que o dia-a-dia e as coisas que possam ser deixadas de lado te façam esquecer dessa imensa responsabilidade que você tem com sua netinha...