Eu já escrevi algumas vezes sobre costumes e características dos Estados Unidos que não me agradam muito, mas dessa vez não posso deixar de comentar uma tendência que passou a me deixar bastante intrigada no Brasil: a alta taxa de cesáreas.
Bem, antes de entrar pro Clube das Mães já havia notado que no Brasil o "normal" é se ter bebês via cesárea e não parto normal. Notei isso baseada nas estatísticas do meu ciclo de amigas, colegas e conhecidas. Neste grupo, a única pessoa que conheço que se enquadra no grupo do "parto normal " é a Pati Aguiar, minha amiga de sala na UFMG.
Ao chegar por aqui reparei que a coisa nessas bandas não é bem assim. No meu ciclo de amizades e conhecidas aqui (pequeno, é claro), todas tiveram seus bebês via parto normal. A Juliana, amiga da minha irmã que visitei a pouco tempo em Oregon, foi até além do parto normal e teve suas meninas via parto natural, ou seja, sem qualquer uso de medicamentos contra dor que hoje se sabe não fazer bem para o bebê. Além disso, ela filmou o parto e cedeu as imagens para campanhas de conscientização de parto normal e natural que parecem estar começando a nascer no Brasil. E mesmo com essa estatística do meu ciclo de amigas ser de 100% parto normal, a taxa de cesariana (ou C-section, como se diz por aqui) nos Estados Unidos (cerca de 30%) é considerada muito alta pela OMS (Organização Mundial de Saúde). De acordo com a OMS, a taxa de cesariana em qualquer lugar do mundo deveria ser em torno de 10%. A cesariana é considerada como um instrumento para salvar vidas (da mãe ou do bebê) ou em situações de emergência ou quando a gravidez apresenta características que impeçam o parto normal (um exemplo disso é quando a placenta se implanta na saída do útero). Mas esses casos são considerados raros de acontecer, ou seja, em aproximadamente 10% das gestações.
Aqui nos Estados Unidos tenho notado uma espécie de contínua campanha de conscientização das mães, pais e médicos sobre a importância de só se usar o recurso da cesariana nos casos raros em que há complicações que impedem um parto normal. Nessas campanhas fica claro o fato de que a cesariana não é uma cirurgia corriqueira e o termo "major surgery" é usado sempre para classificá-la.
Mas será porque muitos médicos ainda usam a cesariana de forma desnecessária? Bem, o documentário "The Business of Being Born" (muito famoso por aqui) dá algumas pistas. Neste documentário há o depoimento de alguns médicos obstetras falando abertamente sobre essa questão. Um diz que a cesariana é realmente muito mais conveniente para o médico. Com ela o médico tem uma certa "liberdade" de agendar dia e horário, dura cerca de 20-30min e, de acordo com esse médico, "você ainda consegue chegar em casa a tempo da hora do jantar". Um outro médico aponta para o fato que são poucos os obstetras com treinamento para parto normal. Muitos não assistiram a muitos partos normais como estudantes e talvez se sintam mais confortáveis em fazer um bebê vir ao mundo via cesariana (procedimento para o qual são amplamente treinados).
Nos cursos de partos (childbirth) que são oferecidos em praticamente todo hospital (pelo menos aqui na região onde moro) fica bem claro essa campanha de conscientização para o parto normal e com ênfase no parto natural. Esses cursos são geralmente administrados por midwifes (enfermeiras com especialização em obstetrícia que fazem partos) e doulas (assistentes de parto). Inclusive no meu curso, no hospital Good Samaritan, o Brasil foi citado como um dos países com a maior taxa de cesáreas do mundo, o que vai de acordo com as estatísticas do meu grupo de amigas. Além disso, a tendência de se contratar uma doula para o parto está crescendo cada vez mais por aqui. Apesar de parecer esquisito, a princípio, contar com o apoio de uma pessoa "estranha" na hora de você ter seu bebê, pelo que vi no curso elas são de grande ajuda. Elas conhecem todo o processo do trabalho de parto e a cada fase sabem de encorajar e fornecer tudo o que é preciso para que o trabalho de parto ocorra rápido e o menos traumático possível. Eu falo isso pois a minha professora no curso é uma doula e acho que confiaria nela para me ajudar sim. É importante mencionar que elas não interferem no trabalho das enfermeiras e médicos. Pena que é um serviço caro (cerca de $1000 o pacote de serviços) e não coberto por planos de saúde. No curso elas também nos ensinam a de certa forma tentar argumentar com um médico que sugira uma cesariana ou algum procedimento não natural: "Doutor, isto é uma emergência? Ou podemos esperar mais um pouco e continuar tentando da forma natural?" Bem, se o médico diz que é uma emergência não tem o que argumentar.
Podendo escolher a Brooke virá ao mundo através de um parto natural. Mas a gente nunca sabe o que pode acontecer não é mesmo? De todo jeito, se a Dr. Mannon pronunciar a palavra cesárea, antes de ir para sala de operação, tirarei minha frase-feita da manga: "Dr. Mannon, is this an emergency?"
2 comentários:
Nada acontece, neste mundo,que não seja a vontade de Deus.ÊLE sabe o que é melhor para nós,e os homens são apenas instrumentos,para que a vontade de DEUS se cumpra.
Então Daniela,é bom que você esteja conscientizada para os tipos de parto que você poderá vir a ter.Mesmo que pareça que o médico ou a mãe possam determinar como será o parto,é a natureza quem dá a última palavra.
Entrega os teus caminhos a DEUS,confia NELE,se renda aos seus desgnios,e ELE tudo fará.
A palavra que a Dr.Mannom pronunciar ,antes de você ir para a sala de parto,não precisará ser contestada,pois o DEUS,que você tão bem conhece,estará falando pela boca de sua ginecologista.
Sinto que você está muito bem preparada,e vai contar,ainda, com o apoio e o amor do Márcio e de sua mãe.
Bjos e bençãos
Gesa
Oi Daniela,
Achei muito legal seu interesse em fazer o parto normal, em vez da cesárea. Também já li reportagens sobre o assunto e sei que muitas vezes o médico escolhe a cesárea aqui no Brasil, por ser comodo e também porque os planos de sáude e Sus pagam melhor e as gravidas também preferem,por não sentir dor.
Todavi,como você mesmo esclareceu no seu blog ai nos Estados Unidos a estatísticas apontam para o parto normal e so em caso especiais os médicos fazem a cesárea. Pelo que você escreve sobre a Dr. Mannon ela tem acompanhado o sua gestação com muita carinho e responsabilidade, portanto eu concordo com a sua mãe,vocÊ que é uma pessoa fiel ao Senhor deverá confiar nela, pois mais importante nisso tudo é a Brooke siar linda e fofa da sua barriga,seja de que forma for,
beijos Sonia
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