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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Escapei do Pitocin (por essa semana)

Voltei para casa. A médica do ultra-som queria induzir o parto. Disse que eu já tinha passado de 37 semanas e a Brooke tá com pouco peso (ela tá com 2.5 Kg). Me perguntou se eu tinha combinado alguma coisa com a Dr. Mannon. Eu disse a ela que se não fosse uma emergência eu gostaria de esperar as coisas acontecerem naturalmente. Ela disse para eu esperar que ela ia conversar com a Dr. Mannon por telefone e iam decidir. No final a Dr. Mannon disse que se sentia confortável em esperar mais uma semana e meia, pois o nível do líquido tá normal, a placenta tá funcionando direito, os batimentos cardíacos e as atividades da Brooke tão normais. Mas elas querem me induzir ao parto antes de eu completar 39 semanas. Pelo menos, ganhei mais tempo e vai dar para mamãe chegar.

Bom, mas porque estou tão preocupada em ganhar mais tempo e não ser induzida? Porque em todos os livros que li, cursos que atendi e documentários que assisti, é mencionado que para se induzir o parto a mulher recebe via veia um hormônio sintético chamado Pitocin (em Inglês) que é considerado uma cópia de "segunda categoria" (palavras de um dos livros) do oxitocin, o hormônio fabricado pelo corpo para produzir as contrações. O oxitocin, por ser natural, é gentil com a mãe fazendo as contrações aumentarem de forma natural, dando intervalos para a mãe descansar entre as contrações e não deixando que as contrações comprimam ou estressem o bebê. Além disso, quando o processo de parto é iniciado naturalmente, o corpo produz um outro hormônio, a endorfina, que causa a sensação de bem estar e energia e um outro hormônio (que esqueci o nome) que faz a mãe ficar num estado como se estivesse "drogada" perdendo a noção do tempo e então, a aliviando a dor. Com o Pitocin, por ser artificial, a estória é outra. As contrações não tem muito padrão, são muito mais fortes e com pouco ou nenhum intervalo de descanso. Além disso, o bebê pode ser excessivamente comprimido e ficar bastante desconfortável e estressado. Como disse minha professora do curso, comparado com o oxitocin, "pitocin is a completely different animal".

Não sei se vou escapar do pitocin mas farei tudo para isso acontecer. O Márcio irá comigo na próxima consulta para tentarmos argumentar com a médica o porquê da pressa. Mas de todo jeito o argumento "Is this an emergency or do we have time to wait?" funcionou hoje.



37 semanas (14/09/2008)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Expectativa

Hoje eu tive consulta com a Dr. Mannon e ela disse que o nível do líquido amniótico está normal. Ela fez também no consultório um non-stress test e deu tudo certo. Entretanto, como amanhã eu tenho um ultrasom para ver o peso da Brooke, ela disse para eu estar preparada pois há a chance de eu ser mandada pro Labor & Delivery amanhã para ser induzida no parto. Isso acontecerá se a Brooke não estiver ganhando peso de forma adequada. Então teoricamente eu tenho que estar pronta para ir pro hospital amanhã. Mas eu acho que vai dar tudo certo e serei liberada para voltar, ganhando mais 1 semana o que dá tempo da mamãe chegar.

Como disse pro João outro dia, para os que me tem como contato do gmail, se estiver logada amanhã depois das 8, 9h da noite (horário de Brasília) é porque voltei para casa. Senão... Se por acaso for induzida mesmo, vou pedir ao Márcio para avisar pelo blog.



36 Semanas e Meia (10 de Setembro)

domingo, 14 de setembro de 2008

Quartinho Update

Depois do susto da terça e das duas malas de presentes que o Márcio trouxe, esta é a mais nova atualização do quartinho. Mas ainda não acabamos não...



O Márcio trouxe esses armarinhos, o jacaré foi a Vó Maria Luiza, o tigre eu trouxe do meu aniversário na Disney em Novembro e os 2 coelhinhos foi a Vó Gesa que mandou há uns 3 anos atrás na Páscoa.

O cestinho de roupa suja é daqui mesmo


Este ginásio lindo com tema da floresta é presente do Tio João

Banheirinha

Olha que cabidinhos lindos que a Vó Maria Luiza mandou!


O porta-retrato foi Tia Renata que deu




O conjunto da cama foi a Vó Maria Luiza que mandou. O travesseirinho com a oração foi presente da Júnia e Arnaldo quando eles vieram aqui em Março.


Olha que coisa fofa os puxadores da cômoda! Foi a Vó Gesa que mandou.

O reloginho personalisado foi presente da Tia Cláudia


Hoje foi o chá de bebê (Baby Shower) da Brooke. No próximo post eu coloco as fotos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

35 semanas e meia (3 de Setembro)

Nesta semana não tinha ninguém para tirar minha foto


3 Vídeos de Chutes e Mexidas de 30 segundos


Neste video a Brooke dá umas mexidas e no final chute pode ser percebido no lado direito da tela.




Fundo musical é o Duke



Mais chutes

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Em Modo de Urgência

Por causa do monitoramente do líquido amniótico estou tendo que fazer um "fetal non-stress test" todas as semanas no hospital. Eu fico sentada por quase 1 hora com monitores na minha barriga ouvindo o coração da Brooke. "Passar" neste teste significa eles verem uma aceleração no coração do bebê a cada vez que ele se movimenta.

Bem, meu último teste foi nesta terça, dia do Márcio chegar do Brasil no aeroporto de San Francisco. Então para não perder tempo, porque o hospital em Palo Alto é 45 min daqui de casa e no caminho do aeroporto de San Franciscos que é 1 h daqui de casa, marquei todas os meus compromissos enfileirados: stress test à 8:00h, consulta com Dr. Mannon às 10:00h e da consulta sairia para buscar o Márcio. Bem no stress test (que inclui um mini ultra-som) as enfermeiras constataram que o nível do meu líquido amniótico abaixou de novo e me mandaram subir pro "Labor and Delivery" na mesma hora. Pensei, como assim, Labor and Delivery??? Labor and Delivery não é onde se nascem os bebês? Elas me disseram, não queremos te alarmar, só queremos ficar no "safe side" e você será monitorada por mais algum tempo de lá. Elas ficaram de ligar para Dr. Mannon avisando que não iria à consulta e também para ir relatando os resultados da monitoração para ela. Liguei pro Márcio e deixei recado que não ia poder buscar ele no SFO porque tinha sido mandada pro Labor and Delivery (L&D) para ser monitorada.

Um tempo depois a enfermeira no L&D me disse que eu seria monitorada por 2h e se a Dr. Mannon estivesse feliz com os resultados eu seria liberada. Não perguntei o que aconteceria se a Dr. Mannon não estivesse "feliz" com os resultados? Seria o dia do nascimento da Brooke? Meu Deus, as coisas não estão prontas ainda!!! O Márcio estaria chegando do Brasil com um enxoval de presentes, muitas coisas essenciais ainda não comprei ou arrumei, a mala do hospital não está pronta. Vou perder meu curso de cuidados com o bebê no sábado, meu chá de bebê do domingo! E agora??? Bem, no final a Dr. Mannon ficou feliz com os resultados e voltei para casa. Eles me disseram que o alarme com relação ao monitoramento e ao líquido é porque como o nível está baixo, a Brooke pode dar uma cotovelada ou prensar o cordão umbilical, se privando de oxigênio.

Bom, eu não sei se esse povo "overdiagnose" ou não (eles estão me deixando bastante estressada) mas o fato é que entrei em modo de urgência. Estou deixando tudo pronto para a chegada da Brooke. Não sei o que pode acontecer na próxima consulta e próximo stress test... Graças a Deus no domingo completo 37 semanas e ela passa a ser considerada "full-term", ou seja, não é mais prematura.

sábado, 6 de setembro de 2008

Álbum de Gravidez (34 semanas - 24 de Agosto)

A princípio eu queria fazer um álbum com fotógrafo profissional, tipo o que a Pat Marques e a Fá Ruas fizeram. O delas ficou muito bonito. Mas o Márcio não gosta de tirar foto muito menos fazer pose para fotógrafo num studio. E também ele argumentou comigo que tínhamos acabado de comprar uma câmera profissional, com todos os recursos e que não fazia sentido não usá-la. E ele concordou então em fazer "3" fotos tiradas pelo Reuber no nosso quintal. O Reuber é nosso amigo do Brasil que formou com o Márcio e trabalha aqui na Bay Area também.

Na verdade foi uma luta para tirar essas "3" fotos. O Márcio fica extremamente desconfortável fazendo pose e a reação dele para aliviar o desconforto é fazer caretas para câmera. Na verdade foram muito mais que "3" fotos. Foram quase 200! As que estou sozinha foi o Márcio que tirou e as que estou com o Márcio foi o Reuber. Valeu Reuber! Se não fosse por você não teria meu álbum.
(Ao clicar nas fotos elas ampliam)















quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sobre Cesárea, Parto Normal e Parto Natural

Eu já escrevi algumas vezes sobre costumes e características dos Estados Unidos que não me agradam muito, mas dessa vez não posso deixar de comentar uma tendência que passou a me deixar bastante intrigada no Brasil: a alta taxa de cesáreas.

Bem, antes de entrar pro Clube das Mães já havia notado que no Brasil o "normal" é se ter bebês via cesárea e não parto normal. Notei isso baseada nas estatísticas do meu ciclo de amigas, colegas e conhecidas. Neste grupo, a única pessoa que conheço que se enquadra no grupo do "parto normal " é a Pati Aguiar, minha amiga de sala na UFMG.

Ao chegar por aqui reparei que a coisa nessas bandas não é bem assim. No meu ciclo de amizades e conhecidas aqui (pequeno, é claro), todas tiveram seus bebês via parto normal. A Juliana, amiga da minha irmã que visitei a pouco tempo em Oregon, foi até além do parto normal e teve suas meninas via parto natural, ou seja, sem qualquer uso de medicamentos contra dor que hoje se sabe não fazer bem para o bebê. Além disso, ela filmou o parto e cedeu as imagens para campanhas de conscientização de parto normal e natural que parecem estar começando a nascer no Brasil. E mesmo com essa estatística do meu ciclo de amigas ser de 100% parto normal, a taxa de cesariana (ou C-section, como se diz por aqui) nos Estados Unidos (cerca de 30%) é considerada muito alta pela OMS (Organização Mundial de Saúde). De acordo com a OMS, a taxa de cesariana em qualquer lugar do mundo deveria ser em torno de 10%. A cesariana é considerada como um instrumento para salvar vidas (da mãe ou do bebê) ou em situações de emergência ou quando a gravidez apresenta características que impeçam o parto normal (um exemplo disso é quando a placenta se implanta na saída do útero). Mas esses casos são considerados raros de acontecer, ou seja, em aproximadamente 10% das gestações.

Aqui nos Estados Unidos tenho notado uma espécie de contínua campanha de conscientização das mães, pais e médicos sobre a importância de só se usar o recurso da cesariana nos casos raros em que há complicações que impedem um parto normal. Nessas campanhas fica claro o fato de que a cesariana não é uma cirurgia corriqueira e o termo "major surgery" é usado sempre para classificá-la.

Mas será porque muitos médicos ainda usam a cesariana de forma desnecessária? Bem, o documentário "The Business of Being Born" (muito famoso por aqui) dá algumas pistas. Neste documentário há o depoimento de alguns médicos obstetras falando abertamente sobre essa questão. Um diz que a cesariana é realmente muito mais conveniente para o médico. Com ela o médico tem uma certa "liberdade" de agendar dia e horário, dura cerca de 20-30min e, de acordo com esse médico, "você ainda consegue chegar em casa a tempo da hora do jantar". Um outro médico aponta para o fato que são poucos os obstetras com treinamento para parto normal. Muitos não assistiram a muitos partos normais como estudantes e talvez se sintam mais confortáveis em fazer um bebê vir ao mundo via cesariana (procedimento para o qual são amplamente treinados).

Nos cursos de partos (childbirth) que são oferecidos em praticamente todo hospital (pelo menos aqui na região onde moro) fica bem claro essa campanha de conscientização para o parto normal e com ênfase no parto natural. Esses cursos são geralmente administrados por midwifes (enfermeiras com especialização em obstetrícia que fazem partos) e doulas (assistentes de parto). Inclusive no meu curso, no hospital Good Samaritan, o Brasil foi citado como um dos países com a maior taxa de cesáreas do mundo, o que vai de acordo com as estatísticas do meu grupo de amigas. Além disso, a tendência de se contratar uma doula para o parto está crescendo cada vez mais por aqui. Apesar de parecer esquisito, a princípio, contar com o apoio de uma pessoa "estranha" na hora de você ter seu bebê, pelo que vi no curso elas são de grande ajuda. Elas conhecem todo o processo do trabalho de parto e a cada fase sabem de encorajar e fornecer tudo o que é preciso para que o trabalho de parto ocorra rápido e o menos traumático possível. Eu falo isso pois a minha professora no curso é uma doula e acho que confiaria nela para me ajudar sim. É importante mencionar que elas não interferem no trabalho das enfermeiras e médicos. Pena que é um serviço caro (cerca de $1000 o pacote de serviços) e não coberto por planos de saúde. No curso elas também nos ensinam a de certa forma tentar argumentar com um médico que sugira uma cesariana ou algum procedimento não natural: "Doutor, isto é uma emergência? Ou podemos esperar mais um pouco e continuar tentando da forma natural?" Bem, se o médico diz que é uma emergência não tem o que argumentar.

Podendo escolher a Brooke virá ao mundo através de um parto natural. Mas a gente nunca sabe o que pode acontecer não é mesmo? De todo jeito, se a Dr. Mannon pronunciar a palavra cesárea, antes de ir para sala de operação, tirarei minha frase-feita da manga: "Dr. Mannon, is this an emergency?"